O Terminal da Junta, na cidade de Maputo, tem registado nos últimos dias um fluxo contínuo e invulgar de cidadãos estrangeiros, sobretudo de nacionalidade malawiana, que chegam provenientes da África do Sul. Os relatos apontam que a movimentação é motivada por uma fuga generalizada face a novos episódios de violência xenófoba no país vizinho.
De acordo com testemunhas e profissionais que atuam no local, o cenário repete-se há cerca de uma semana e meia, período durante o qual têm desembarcado diariamente mais de sete autocarros de longo curso. O perfil do grupo que chega a Moçambique é composto por pessoas que abandonaram o território sul-africano em busca de segurança e estabilidade, transportando apenas alguns pertences pessoais e partilhando histórias marcadas pelo medo, agressões e perda abrupta de meios de subsistência em solo sul-africano.
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Esta vaga migratória transformou o Terminal da Junta no principal ponto de acolhimento e reorganização destas comunidades na capital moçambicana. O impacto logístico já é visível na rotina do espaço, registando-se um aumento expressivo na procura por transporte urbano, alojamento temporário e no dinamismo das atividades comerciais informais. Quem opera no terminal descreve o ambiente diário como intenso e desafiador devido à constância dos desembarques.
Até ao momento, as autoridades oficiais ainda não emitiram qualquer posicionamento público sobre a dimensão exata deste fluxo humanitário, nem detalharam a existência de mecanismos específicos de assistência ou integração para quem acaba de chegar. O fenómeno coloca em evidência a necessidade de gestão da mobilidade urbana e do apoio humanitário na região, num momento em que Moçambique passa a figurar como um refúgio alternativo face às tensões na África Austral.