O Serviço Nacional de Investigação Criminal confirmou publicamente, esta segunda-feira, que a viatura pertencente a Benjamim Zacarias Bié, conhecido popularmente como "Cowboy", foi intercetada na posse de um dos seus próprios agentes operacionais. A revelação caiu como uma bomba na opinião pública e intensifica o clima de desconfiança e indignação social em torno de um crime que já vinha a chocar o país. Em comunicado de imprensa emitido para esclarecer os contornos da situação, a direção da instituição explicou que a localização do veículo ocorreu na sequência das diligências e investigações em curso para esclarecer as circunstâncias da morte de Bié, cujo corpo foi descoberto sem vida nas margens do rio Incomáti, no distrito de Marracuene, no passado mês de abril.
Ao ser confrontado pelas autoridades, o agente envolvido tentou justificar a posse do automóvel alegando que o tinha adquirido de boa-fé a uma terceira pessoa, identificada pelo nome de Timóteo Benjamim Bene. O visado afirmou categoricamente que desconhecia que o meio de transporte estivesse associado a um caso de homicídio. Contudo, os dados periciais avançados pelo órgão de investigação criminal revelam um detalhe comprometedor: a viatura já tinha sido submetida a alterações profundas na sua pintura original, uma modificação mecânica que a polícia acredita ter sido feita de forma deliberada com o claro intuito de camuflar o carro e dificultar qualquer tentativa de identificação por parte das autoridades.
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Apesar das justificações e da versão apresentadas pelo funcionário, a direção do Serviço Nacional de Investigação Criminal assumiu uma postura de tolerância zero, assegurando que o processo de inquérito vai prosseguir sem qualquer tipo de entrave ou hesitação. A instituição vincou que avançará para medidas severas caso fiquem provadas responsabilidades ou cumplicidades criminais por parte do suspeito. No documento oficial divulgado, a liderança máxima da corporação fez questão de sublinhar que a lei é estritamente igual para todos os cidadãos, prometendo que o agente será severamente responsabilizado pelos seus atos, independentemente do estatuto e da sua qualidade de membro da própria casa, numa tentativa clara de afastar o fantasma da proteção interna.
Este desenvolvimento dramático reacende com força o debate público em Moçambique sobre a integridade e a transparência das instituições de justiça. A situação coloca sob escrutínio o papel dos próprios órgãos incumbidos de combater o crime, numa altura em que elementos da polícia passam de investigadores a suspeitos centrais em processos criminais de extrema gravidade e sensibilidade nacional. Enquanto o caso segue os trâmites legais, a sociedade civil aguarda para ver se as promessas de responsabilização serão efetivamente cumpridas, num teste crucial à credibilidade do sistema de investigação do país.