O Irão anunciou esta quinta-feira, 11 de junho, o fechamento do Estreito de Ormuz e declarou que qualquer embarcação que tente atravessar a região poderá ser considerada alvo militar. A decisão foi tomada após uma nova série de ataques dos Estados Unidos contra instalações militares iranianas.

O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo e comércio internacional. Por ali passa cerca de 21% do petróleo consumido globalmente, segundo dados da Agência Internacional de Energia.

O presidente norte-americano Donald Trump afirmou que o governo iraniano estaria a prolongar as negociações de paz e advertiu que as operações militares poderão ser ampliadas caso não haja avanços diplomáticos. A declaração foi feita poucas horas antes do anúncio de Teerã sobre o bloqueio do estreito.

Analistas internacionais alertam que o fechamento da rota pode provocar uma crise nos mercados globais de energia e elevar drasticamente os preços do petróleo. O impacto sobre os combustíveis já afecta economias como a de Moçambique, que depende fortemente das importações.

O agravamento das hostilidades entre Washington e Teerã eleva o risco de uma escalada militar ainda maior no Médio Oriente. Especialistas temem que o bloqueio possa levar a confrontos directos com forças navais norte-americanas e de países aliados que patrulham a região.

A crise pode comprometer definitivamente as negociações indiretas entre o Irão e os Estados Unidos, que vinham a decorrer com mediação de países europeus. As conversações visavam retomar o acordo nuclear abandonado por Trump em 2018.

O governo iraniano justificou a medida como resposta aos repetidos ataques contra a sua soberania territorial. Teerã acusou Washington de violar o direito internacional e prometeu defender o seu espaço aéreo e marítimo por todos os meios necessários.

A comunidade internacional acompanha com preocupação a evolução do conflito. Vários países já expressaram receio de que a situação possa desestabilizar toda a região do Golfo Pérsico e afectar cadeias globais de abastecimento.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas deverá reunir-se nos próximos dias para debater a crise. Ainda não há indicação de quando o Estreito de Ormuz poderá ser reaberto à navegação internacional.