Dezenas de sul-africanos marcharam em Ekurhuleni, província de Gauteng, para exigir oportunidades de emprego em empresas que alegadamente priorizam trabalhadores estrangeiros. A manifestação realizou-se no domingo e incluiu uma deslocação a uma empresa de logística em Boksburg, onde os participantes exigiram a demissão imediata de trabalhadores imigrantes.
A líder do movimento March and March, Jacinta Ngobese-Zuma, criticou as medidas anunciadas pelo Presidente sul-africano Cyril Ramaphosa para lidar com a imigração ilegal, classificando-as como impraticáveis. Ramaphosa havia enumerado cinco medidas governamentais e reiterado que apenas as forças da Lei e da Ordem têm o direito de exigir documentos de identificação a qualquer pessoa.
A tensão xenófoba na África do Sul tem afectado milhares de moçambicanos residentes no país vizinho. Nos últimos dias, centenas de nacionais regressaram a Moçambique após episódios de violência que levaram o Governo a reforçar vigilância sobre a situação dos seus cidadãos em território sul-africano.
Os manifestantes em Ekurhuleni focaram as suas reivindicações em empresas do sector logístico, acusando-as de contratar estrangeiros em detrimento de cidadãos sul-africanos. O movimento March and March tem organizado várias acções de protesto nos últimos meses, pressionando entidades patronais e autoridades a adoptarem políticas de contratação que privilegiem trabalhadores locais.
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A situação espelha a crescente tensão social na província de Gauteng, onde o desemprego afecta milhões de pessoas. Os manifestantes argumentam que a presença de trabalhadores estrangeiros agrava a crise laboral, embora especialistas alertem que a xenofobia não resolve problemas estruturais da economia sul-africana.
As declarações de Ramaphosa visaram acalmar os ânimos e reafirmar o compromisso do Estado de direito, mas os movimentos anti-imigrantes consideram insuficientes as acções governamentais. A situação permanece volátil em várias áreas de Gauteng, com receios de novos episódios de violência contra comunidades estrangeiras.
Moçambique mantém contactos diplomáticos com Pretória para garantir a segurança dos seus nacionais e facilitar o repatriamento de quem deseje regressar ao país. As autoridades moçambicanas continuam a monitorizar a evolução da situação xenófoba na África do Sul.