O ministro dos Negócios Estrangeiros de França, Jean-Noël Barrot, solicitou no domingo uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança das Nações Unidas após o exército israelita ter ocupado a histórica fortaleza de Beaufort, no Sul do Líbano, e içado a bandeira nacional. A acção militar ocorre três meses após a entrada em vigor de um cessar-fogo acordado a 17 de Abril de 2026.
Desenvolvimento
Violação de compromissos internacionais
Jean-Noël Barrot criticou duramente a operação militar israelita numa entrevista ao canal BFMTV. O chefe da diplomacia francesa afirmou que, embora reconheça o direito à legítima defesa de Israel face aos ataques do Hezbollah, tal não justifica o prolongamento das operações militares em território libanês. Paris considera que Telavive cometeu uma violação grave das normas internacionais ao avançar cada vez mais profundamente para dentro do Líbano.
O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, confirmou a tomada da fortaleza medieval através da sua conta na rede social Telegram. Segundo Katz, as tropas israelitas expandiram as operações sob orientação directa do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, atravessando o rio Litani e conquistando a cordilheira de Beaufort. O responsável militar descreveu esta posição como estrategicamente vital para proteger as localidades da Galileia, no Norte de Israel, e garantir a segurança das forças israelitas destacadas na região.
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Contexto
A fortaleza de Beaufort carrega um simbolismo histórico importante no conflito israelo-libanês. Entre 1982 e 2000, Israel ocupou o Sul do Líbano durante duas décadas, usando precisamente esta fortificação medieval como base militar. A retirada israelita há 24 anos marcou um momento crucial nas relações entre os dois países.
O cessar-fogo estabelecido em Abril de 2026 visava pôr termo aos confrontos entre as forças israelitas e o Hezbollah, grupo pró-iraniano com forte presença no Líbano. A actual ocupação da fortaleza representa, segundo França, uma clara ruptura dos compromissos assumidos há apenas três meses e uma violação do direito internacional que rege as relações entre Estados soberanos.
O Que Esperar
A reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU deverá debater medidas diplomáticas para reverter a ocupação israelita e garantir o cumprimento do cessar-fogo. A comunidade internacional observa com preocupação o potencial de escalada do conflito numa região já marcada por décadas de instabilidade.