A África do Sul repatriou 2.745 cidadãos estrangeiros numa semana, após o Presidente Cyril Ramaphosa anunciar medidas mais duras contra a imigração ilegal. A operação intensificou o processo de deportação de imigrantes em situação irregular no país.

De acordo com o Governo sul-africano, a maioria dos repatriados encontrava-se no país sem documentação válida. Entre os deportados estão cidadãos de Moçambique, Malawi, Nigéria, Gana e Zimbabwe, segundo informou o Departamento de Assuntos Internos em comunicado oficial.

A medida surge num contexto de crescente tensão social no país, onde a xenofobia já provocou a morte de vários estrangeiros nos últimos meses. A taxa de desemprego superior a 30 por cento alimenta o sentimento anti-imigrante entre parte da população sul-africana.

O governo de Pretória justifica o endurecimento da política migratória com a necessidade de controlar as fronteiras e combater a criminalidade. As autoridades prometem intensificar as operações de fiscalização em todo o território nacional nas próximas semanas.

Moçambique tem sido particularmente afectado pela onda xenófoba na África do Sul. O governo moçambicano já repatriou centenas de cidadãos que fugiram da violência e das deportações no país vizinho.

A comunidade internacional manifestou preocupação com a situação. Diversos países africanos e organizações internacionais emitiram alertas aos seus cidadãos sobre os riscos de permanecer na África do Sul sem documentação regularizada.

As deportações em massa levantam questões sobre os direitos humanos dos imigrantes e o impacto económico da medida. Muitos dos deportados trabalhavam em sectores essenciais da economia sul-africana, incluindo agricultura, construção civil e serviços domésticos.

O Presidente Ramaphosa prometeu manter as operações de repatriamento até que as fronteiras estejam totalmente controladas. O governo sul-africano não divulgou o custo total da operação nem o número exacto de moçambicanos incluídos nos 2.745 deportados desta semana.