Na habitual ronda de segunda-feira, o Ministro da Saúde constatou o esforço dos profissionais da maior unidade sanitária do País, mas apontou o dedo ao volume preocupante de cadáveres que acabam na vala comum.

MAPUTO – A morgue do Hospital Central de Maputo (HCM) recebeu, nas primeiras horas desta segunda-feira, uma visita inesperada. O Ministro da Saúde, Ussene Isse, escalou o local numa fiscalização surpresa que faz parte de uma nova dinâmica da liderança do sector: auditar, sem aviso prévio, uma unidade sanitária no início de cada semana.

Desta vez, a rota começou pelo sector mais sensível do maior hospital do País. O governante justificou a escolha como um acto de reconhecimento e encorajamento aos profissionais que ali operam, sublinhando que a gestão de uma morgue exige "elevados níveis de dedicação e bravura", qualidades muitas vezes invisíveis para o grande público.

Infra-estrutura degradada e o drama da vala comum

Se, por um lado, a organização interna e o brio dos funcionários arrancaram elogios do ministro, por outro, as fragilidades do edifício saltaram à vista. Ussene Isse não escondeu a preocupação com o estado físico da infra-estrutura, tendo identificado a necessidade urgente de uma intervenção profunda no piso e no sistema hidráulico daquela área.

Contudo, o maior nó estrangulador encontrado não é técnico, mas sim social. O governante lamentou o volume alarmante de corpos que continuam a sobrecarregar a morgue e que têm como destino final a vala comum. Trata-se de um fenómeno alimentado pelo elevado índice de cadáveres abandonados e que nunca chegam a ser reclamados pelas próprias famílias.

Tolerância zero às cobranças ilícitas

Num sector frequentemente fustigado por queixas de esquemas nos bastidores, a integridade esteve no centro do debate. O titular da pasta da Saúde garantiu que, durante o tempo em que dialogou com os utentes no local, não registou qualquer denúncia de cobranças ilícitas para a prestação de serviços.

Ainda assim, o governante deixou um aviso claro e um apelo à população:

"Instamos todos os cidadãos a não pactuarem com a corrupção. Qualquer irregularidade ou tentativa de cobrança de valores fora do circuito legal deve ser denunciada formalmente para que possamos agir severamente."