O crime, que chocou o bairro da Manga Mascarenha, foi presenciado pelo filho de três anos e pelo empregado da residência. O indiciado tentava fugir para Chimoio quando se despistou no Inchope.

BEIRA – Um crime passional com contornos macabros abalou a cidade da Beira na noite da última sexta-feira. Um cidadão nacional é acusado de agredir mortalmente a sua esposa no interior da residência do casal, localizada no bairro da Manga Mascarenha, pondo-se em fuga logo após o cometimento do crime. A bárbara moldura humana foi presenciada pelo filho menor do casal, de apenas três anos, e pelo trabalhador da casa.

Segundo relatos do empregado doméstico, que tentou sem sucesso socorrer a vítima, o agressor recorreu a uma pá para desferir vários golpes contra a consorte, terminando por estrangulá-la. Na origem do desentendimento, de acordo com a mesma fonte, esteve a suposta descoberta de um "segredo" por parte do agressor, que terá confrontado a vítima antes de iniciar as agressões fatais.

Após consumar o homicídio, o suspeito colocou-se em fuga ao volante da sua viatura particular, tomando a Estrada Nacional Número 6 (EN6) em direcção à província de Manica. Contudo, a cavalgada do fugitivo conheceu o seu fim no Posto Administrativo do Inchope, onde o indiciado sofreu um aparatoso acidente de viação.

Alertadas sobre a ocorrência, as autoridades policiais neutralizaram o indivíduo no local do sinistro, procedendo à sua imediata detenção.

De acordo com depoimentos de familiares e vizinhos colhidos no local, o relacionamento do casal vinha-se degradando de forma acentuada desde Fevereiro do ano passado. A família carregava o trauma de uma tragédia anterior: a perda simultânea de cinco crianças três filhos do casal e duas visitas por asfixia, provocada pela inalação de monóxido de carbono de um gerador ligado no interior da casa durante um apagão na Beira.

O ambiente pós-tragédia ter-se-á tornado insustentável no seio do lar, culminando no trágico desfecho que agora choca a sociedade moçambicana. O caso segue agora os trâmites legais junto das autoridades de investigação criminal.