O presidente da FIFA reconheceu esta semana que a organização não possui autoridade para intervir nas decisões soberanas dos Estados Unidos, mesmo quando estas afectam a participação de figuras ligadas ao futebol internacional. A declaração surge num momento de crescente preocupação sobre possíveis restrições de entrada em território norte-americano para atletas, árbitros e dirigentes.
"Gostaríamos que a FIFA interviesse nas decisões dos EUA, mas cada país é cada país", afirmou o dirigente máximo do futebol mundial, sem citar casos específicos. A posição evidencia as limitações da entidade face às medidas adoptadas pela administração de Donald Trump que podem comprometer a realização do Campeonato do Mundo FIFA 2026.
A competição mundial de futebol será co-organizada pelos Estados Unidos, México e Canadá, envolvendo 48 selecções e milhares de participantes de todos os continentes. As restrições migratórias impostas por Washington levantam dúvidas sobre o acesso de delegações de países com relações diplomáticas tensas com os EUA. Em notícia relacionada, leia secretário-geral da Frelimo, Chakil Aboobacar, garantiu que .
O presidente da FIFA admitiu que a organização preferiria que questões políticas e administrativas não interferissem com o desporto. No entanto, destacou que a entidade não pode sobrepor-se às decisões de governos nacionais, mesmo tratando-se de uma das maiores potências mundiais.
Leia também
A declaração reacende o debate sobre a influência da política no futebol global. Críticos questionam porque a FIFA suspende federações por interferência governamental no desporto, mas não consegue garantir que questões diplomáticas não comprometam as suas competições. A situação reflecte tensões semelhantes às vividas noutros contextos, onde decisões políticas impactam sectores institucionais.
Para muitos adeptos e especialistas, se a organização tem poder sancionatório sobre países membros, deveria também ter mecanismos eficazes para proteger a integridade das suas competições face a restrições unilaterais de países anfitriões.
A posição da FIFA permanece cautelosa: defender a universalidade do futebol, mas respeitar a soberania dos Estados. Uma resposta que demonstra realismo diplomático para uns, mas revela fragilidade institucional para outros. A organização enfrenta agora o desafio de garantir que o Mundial 2026 se realize sem exclusões motivadas por questões alheias ao desporto.