O líder político senegalês Ousmane Sonko foi reeleito, no sábado, presidente do partido PASTEF, consolidando o seu apoio interno numa altura em que o Senegal atravessa uma crise política marcada por divergências entre as principais figuras do poder. A reeleição ocorre em meio a tensões crescentes com o Presidente Bassirou Diomaye Faye.

Durante um discurso transmitido pelo partido, Sonko fez referência ao seu afastamento do Presidente e sublinhou a importância da coesão ideológica e organizativa do movimento. "As revoluções podem ser sequestradas, cooptadas ou esvaziadas da sua essência quando lhes falta uma doutrina clara e uma organização capaz de garantir que a mudança seja sustentada a longo prazo", declarou o líder do PASTEF.

As tensões entre Sonko e Faye intensificaram-se em Julho de 2025, quando o então Primeiro-Ministro criticou duramente o Presidente, denunciando aquilo que classificou como um "problema de autoridade" no país. Por sua vez, em Maio deste ano, Faye censurou a excessiva personalização do partido, afirmando que o PASTEF deveria ser "despersonalizado" e libertar-se da influência dominante de qualquer dirigente.

Uma das principais fontes de discórdia entre ambos tem sido a gestão da dívida pública senegalesa. Enquanto Faye se mostrou favorável à abertura de negociações com o Fundo Monetário Internacional para um novo programa de financiamento, Sonko defendeu uma abordagem mais soberana e independente, rejeitando a interferência de instituições financeiras externas. Em notícia relacionada, leia África do Sul: Moçambique repatria mais 169 cidadãos após xe.

O calendário político do Senegal prevê eleições autárquicas em 2027, seguidas das eleições presidenciais em 2029. Embora a maioria parlamentar do PASTEF na Assembleia Nacional tenha capacidade para apresentar uma moção de censura ao Governo, Faye passará igualmente a dispor, a partir de Novembro, da prerrogativa de dissolver o Parlamento, após completar dois anos no poder.

Perante os seus apoiantes, Sonko garantiu que continuará a lutar para restaurar a força do PASTEF e deixou ainda no ar a possibilidade de vir a candidatar-se ao mais alto cargo do Estado. "A nossa revolução está actualmente ameaçada precisamente por causa dessas intervenções externas. Nem tudo o que está a acontecer no Senegal neste momento se deve exclusivamente a factores internos", afirmou. Em notícia relacionada, leia Eduardo Abdula desafia traficantes e promete combate sem tré.

O líder do PASTEF advertiu ainda que "nenhuma tentativa de sabotar esta revolução terá êxito, porque o povo, ombro a ombro com o PASTEF, dará as garantias necessárias para que possamos finalmente libertar o nosso país". A declaração surge num contexto regional de instabilidade política, que afecta diversos países africanos.

As eleições autárquicas de 2027 e as presidenciais de 2029 serão determinantes para o futuro político do Senegal, num contexto marcado pela crescente rivalidade entre Sonko e Faye. A capacidade do PASTEF de manter a coesão interna e a sua base de apoio popular será testada nos próximos meses, à medida que o país se prepara para ciclos eleitorais decisivos.