MAPUTO – Moçambique quer acelerar o passo na corrida rumo à transformação digital. Durante a 5.ª Conferência Nacional das Comunicações, a decorrer na capital do País, o Executivo anunciou oficialmente o arranque da nova fase de implementação da tecnologia 5G, com a promessa de expandir esta rede de alta velocidade a todas as capitais provinciais até ao ano de 2027.
O projecto promete trazer uma internet significativamente mais rápida, menor tempo de resposta (latência) e abrir portas a novas oportunidades no comércio electrónico, na saúde e na educação.
O contraste: Entre o 5G e a busca por sinal nas zonas recônditas
Contudo, fora dos grandes centros urbanos, o anúncio é recebido com uma boa dose de cepticismo. O entusiasmo do Governo esbarra numa realidade bem conhecida pela maioria dos moçambicanos: a precariedade das actuais redes 3G e 4G, que continuam a falhar severamente nas zonas periféricas e recônditas do País.
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O próprio Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM), o regulador do sector, reconhece que ainda há assimetrias gritantes. Para milhares de cidadãos no Moçambique profundo, o simples acto de efectuar uma chamada telefónica ou enviar uma mensagem de texto continua a ser uma odisseia diária, obrigando as populações a longas caminhadas à procura de sinal no topo de árvores ou colinas.
Regulador promete aperto às operadoras
Para tentar equilibrar a balança e evitar que o fosso digital aumente, o INCM garantiu que a nova estratégia de atribuição do espectro radioeléctrico não será um "cheque em branco" para as empresas de telefonia móvel.
O regulador assegura que o processo impõe agora metas contratuais e obrigatórias de expansão para o interior do País. O plano desenhado pelas autoridades estabelece que, paralelamente ao avanço do 5G nas cidades, as operadoras privadas sejam forçadas a investir na infra-estrutura rural, tendo como meta final uma cobertura nacional efectiva até 2030.