O activista político António Muchanga renovou publicamente o apelo à saída de Ossufo Momade da presidência da Renamo durante uma reunião com militantes descontentes na Zambézia. O encontro, realizado no sábado em Quelimane, centrou-se nas divisões internas que atravessam o principal partido da oposição moçambicana.
Desenvolvimento
António Muchanga reuniu na manhã de sábado com um grupo de membros da Renamo que manifestam insatisfação com a direcção actual do partido. O encontro na capital provincial serviu para avaliar a conjuntura interna da organização e debater estratégias de reorganização.
Durante a reunião, Muchanga reafirmou o alinhamento com generais e veteranos da luta armada da Renamo. Este grupo pretende recuperar os valores que marcaram a liderança de Afonso Dhlakama, fundador histórico falecido em 2018. Muchanga declarou que o património político deixado pelo antigo líder está a ser posto em causa pela gestão actual.
As críticas dirigidas a Ossufo Momade apontam para alegada incapacidade de resolução dos conflitos internos que fragmentam a Renamo. Muchanga sustenta que múltiplas tentativas de mediação através das estruturas partidárias falharam em produzir soluções efectivas.
O político acusou ainda a direcção nacional de adoptar posturas autoritárias contra vozes dissidentes, intensificando as fracturas internas. Muchanga aponta igualmente suspeitas de irregularidades na gestão dos recursos financeiros do partido, responsabilizando directamente a liderança de Momade.
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Contexto / Reacções
A Renamo atravessa um período de turbulência interna desde que Ossufo Momade assumiu a presidência após a morte de Afonso Dhlakama. Várias facções dentro do partido contestam a liderança actual, alegando desvio dos princípios fundadores.
António Muchanga foi suspenso dos quadros da Renamo, decisão que atribui a perseguição política orquestrada pela direcção. Apesar da suspensão, mantém actividade política e articula-se com sectores insatisfeitos dentro da organização.
A Zambézia representa uma província estratégica para a Renamo, historicamente forte na região centro de Moçambique. A escolha de Quelimane para este encontro sublinha a importância simbólica e política da província no xadrez interno partidário.
O Que Esperar
A pressão interna sobre a liderança de Ossufo Momade tende a intensificar-se com o reforço de alianças entre dissidentes e veteranos do partido. A capacidade de Momade para manter coesão e autoridade será testada nos próximos meses, numa altura em que a Renamo procura consolidar-se como alternativa política em Moçambique.