O Banco Comercial e de Investimentos apresentou um rácio de crédito em incumprimento de 14,47% no final de Março, segundo dados divulgados pelo Banco de Moçambique através do relatório de Indicadores Prudenciais e Económico-Financeiros do primeiro trimestre. Vários bancos comerciais moçambicanos continuam a registar níveis de crédito malparado acima dos 5% estabelecidos como limite pelo regulador.
Desenvolvimento
O BCI, controlado pela Caixa Geral de Depósitos portuguesa, mantém a taxa mais elevada de créditos não pagos entre as principais instituições bancárias do país. Este valor representa um ligeiro agravamento face ao trimestre anterior. Para mitigar o risco, o banco elevou o rácio de cobertura para 21,03%, criando reservas financeiras adicionais.
O Moza Banco continua numa posição crítica com 27,58% de crédito em atraso, apesar de ter conseguido reduzir face aos 29,21% anteriores. O Access Bank manteve-se estável nos 6,96%, permanecendo também acima do limite recomendado.
Entre as instituições com melhor desempenho destaca-se o Millennium BIM, que baixou o incumprimento para 2,37% e reforçou a cobertura para 86,57%. O Standard Bank registou apenas 0,64%, enquanto o First Capital Bank ficou nos 1,66% e o Absa Bank nos 4,15%. O FNB Moçambique apresentou 4,66%.
A nível nacional, o crédito malparado atingiu 9,32% do total em 2024, aumentando face aos 8,23% do ano precedente. O valor total de créditos não recuperados ultrapassa os 30 mil milhões de meticais.
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Contexto
O problema do crédito malparado tem vindo a agravar-se no sistema financeiro moçambicano, reflectindo as dificuldades económicas enfrentadas por famílias e empresas. O limite de 5% estabelecido pelo Banco de Moçambique serve como indicador de saúde financeira das instituições bancárias.
Quando os rácios de incumprimento sobem, os bancos tornam-se mais cautelosos na concessão de novos empréstimos, limitando o acesso ao crédito para investimentos e consumo. Esta situação pode travar o crescimento económico e dificultar o financiamento de projectos empresariais e habitacionais.
O regulador tem emitido alertas sobre a necessidade de as instituições reforçarem mecanismos de recuperação de crédito e avaliação mais rigorosa dos clientes antes da aprovação de financiamentos.
O Que Esperar
O Banco de Moçambique deverá continuar a monitorizar de perto as instituições com rácios elevados, podendo exigir planos de recuperação mais robustos. Os bancos enfrentam pressão para equilibrarem a expansão do crédito com a gestão do risco de incumprimento, num contexto económico ainda marcado por desafios estruturais.