A Polícia do Cabo Ocidental, na África do Sul, deteve dois cidadãos sul-africanos suspeitos de assassinar o moçambicano Tomás Chunguane durante a recente onda de violência xenófoba registada em Mossel Bay. Os detidos são acusados de terem esfaqueado mortalmente a vítima no dia 29 de Maio de 2026.
A detenção foi confirmada através de uma nota de imprensa divulgada pelas autoridades sul-africanas. Os dois indivíduos encontram-se sob custódia policial e aguardam apresentação às autoridades judiciais para início do processo criminal.
Tomás Chunguane foi uma das vítimas dos ataques xenófobos que eclodiram em Mossel Bay no final de Maio, resultando em mortes e no deslocamento forçado de centenas de cidadãos estrangeiros. A violência levou o Governo moçambicano a organizar operações de repatriamento de emergência para garantir a segurança dos seus nacionais.
Segundo dados oficiais, 545 moçambicanos regressaram após violência xenófoba em Mossel Bay, transportados em autocarros disponibilizados pelas autoridades moçambicanas. Muitos dos repatriados relataram ter perdido todos os seus bens e enfrentado ameaças de morte.
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A onda xenófoba em Mossel Bay insere-se num contexto mais amplo de violência contra estrangeiros na África do Sul. 169 moçambicanos foram acolhidos no Cabo Ocidental após xenofobia, recebendo assistência humanitária antes do regresso ao país.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique tem acompanhado de perto a situação dos nacionais na África do Sul, mantendo contacto permanente com a embaixada em Pretória e os consulados nas províncias sul-africanas onde reside maior número de moçambicanos.
As autoridades sul-africanas comprometeram-se a garantir a segurança das comunidades estrangeiras e a investigar todos os casos de violência xenófoba. Os dois suspeitos detidos enfrentam acusações de homicídio qualificado, crime que pode resultar em penas de prisão perpétua segundo a legislação sul-africana.
O caso de Tomás Chunguane representa um dos episódios mais trágicos da recente vaga xenófoba, gerando indignação tanto em Moçambique como na comunidade internacional. As autoridades de ambos os países mantêm diálogo para prevenir novos incidentes e proteger os direitos dos migrantes moçambicanos.