O Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM) começou a comercializar a variedade de semente certificada de arroz Macassane, desenvolvida para aumentar a produtividade e a resiliência climática dos agricultores. O produto está disponível ao preço de 200 meticais por quilograma e será distribuído nos perímetros irrigados das províncias da Zambézia e Sofala.

A semente destina-se à produção de arroz certificado, não ao consumo directo de grão. Segundo Hermínio Abade, gestor do centro de pesquisa de arroz do IIAM, os produtores devem adquirir a semente básica para multiplicação. "São 200 meticais ao quilo de semente básica, que deve ser adquirida por produtores que vão produzir semente certificada e não grão", explicou o responsável.

A iniciativa integra um consórcio financiado pela organização Agra e prevê a instalação de áreas de produção nos perímetros irrigados das duas províncias. O objectivo é assegurar o abastecimento de sementes melhoradas para as próximas campanhas agrícolas e responder aos desafios das alterações climáticas.

Actualmente, a produção média de arroz em Moçambique ronda as duas toneladas por hectare. Com o uso de sementes melhoradas, irrigação adequada e mecanização agrícola, o IIAM espera um aumento significativo dos rendimentos nas zonas-alvo. Em notícia relacionada, leia Economia nacional recua 7% no primeiro trimestre de 2026.

A variedade Macassane foi desenvolvida para resistir à irregularidade das chuvas e aos períodos de seca que têm afectado a produção agrícola no país. "Ora chove, ora não chove, e isso muda a agricultura", sublinhou a produtora Helena Terra, ao referir os impactos directos das mudanças climáticas no sector.

Eduardo Mucavel, representante da Agência do Zambeze, indicou que o modelo prevê a multiplicação da semente certificada e a sua utilização no fomento de pequenos produtores. "A semente certificada é alocada e parte dela é usada para produção de grão através do fomento aos pequenos produtores", afirmou.

Os camponeses alertam, contudo, para a necessidade de garantir mercados de escoamento capazes de absorver o eventual aumento da produção. A sustentabilidade económica dos produtores depende da capacidade de comercialização do arroz, num contexto em que a economia nacional enfrenta desafios de crescimento.

A introdução de variedades melhoradas surge como resposta estratégica do IIAM para modernizar a agricultura moçambicana e reforçar a segurança alimentar. A aposta em tecnologias agrícolas e sementes resistentes é considerada factor-chave para aumentar a produção nacional de arroz e reduzir a dependência de importações.