A empresa estatal Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) vai iniciar em Julho a segunda fase do projecto de duplicação da linha férrea de Ressano Garcia, num investimento avaliado em 160 milhões de dólares, equivalente a 10,2 mil milhões de meticais. O concurso para selecção do empreiteiro encontra-se na fase final.

Segundo comunicado divulgado pela CFM, o adjudicatário responsável pelas obras deverá ser conhecido ainda durante o mês de Julho. A linha de Ressano Garcia constitui o principal corredor ferroviário de ligação entre Moçambique e a África do Sul, servindo o Corredor de Maputo.

A infra-estrutura desempenha um papel determinante no transporte de mercadorias destinadas aos mercados regionais e internacionais. A nova fase do projecto visa aumentar significativamente a capacidade operacional e melhorar a eficiência logística ao longo de um dos corredores económicos mais importantes da África Austral.

A empresa sublinha que a previsão é que o empreiteiro seja conhecido até Julho, abrindo caminho para um projecto destinado a reforçar a capacidade de transporte ferroviário e melhorar a fluidez de mercadorias ao longo do Corredor de Maputo. Em notícia relacionada, leia Nampula: Detidos chefe de departamento e empreiteiro por des.

Os resultados da primeira fase da duplicação demonstram a relevância do investimento. De acordo com a CFM, a capacidade anual de transporte da linha aumentou de cerca de 13 milhões para 24 milhões de toneladas, praticamente duplicando o volume de carga movimentada ao longo da rota.

O anúncio surge num momento em que o sector ferroviário nacional enfrenta desafios associados aos fenómenos climáticos extremos. As cheias registadas nos últimos meses afectaram severamente a linha do Limpopo, a segunda mais importante do País, provocando a interrupção da circulação ferroviária durante aproximadamente três meses.

Segundo dados da empresa, os danos resultaram em prejuízos estimados em 12 milhões de dólares e afectaram a circulação de cerca de 130 comboios. O cenário motivou a aprovação de apoio internacional para recuperação de infra-estruturas danificadas pelas cheias em diversas regiões do país.

Perante este cenário, a CFM defende que o reforço da capacidade ferroviária deve ser acompanhado por investimentos na resiliência das infra-estruturas. A empresa assinala que expandir a capacidade ferroviária é fundamental, mas garantir infra-estruturas resilientes aos eventos climáticos é igualmente urgente.

O futuro da logística nacional exige investimento, modernização e capacidade de resposta, refere o comunicado. Apesar dos constrangimentos provocados pelas cheias, os indicadores do sector ferroviário mostram sinais de recuperação gradual nos últimos meses.