Os Estados Unidos, Austrália e seis países africanos emitiram avisos de viagem urgentes aos seus cidadãos e coordenam operações de evacuação da África do Sul, após grupos xenófobos declararem o dia 30 de junho de 2026 como prazo para permanência de estrangeiros no país. A escalada de tensão ocorre antes da paralisação nacional convocada pelo movimento anti-imigração March and March.

O Departamento de Assuntos Externos e Comércio da Austrália (DFAT) atualizou formalmente as suas diretrizes, aconselhando os cidadãos australianos a exercerem um "elevado nível de cautela" devido ao aumento do crime violento, assaltos à mão armada e burlas por falsos polícias. A posição é partilhada pelo Reino Unido, que também reforçou as recomendações de segurança aos seus nacionais.

A Embaixada americana em Pretória emitiu um alerta de segurança oficial após duas explosões consecutivas em lojas da cadeia Woolworths: a primeira a 28 de maio no Menlyn Park Shopping Centre, em Pretória, e a segunda no dia seguinte, em Bloemfontein. As autoridades investigam possíveis ligações dos ataques aos movimentos anti-imigração.

A reação mais drástica partiu do próprio continente africano. O Gana e a Nigéria ativaram voos fretados de emergência a partir de Joanesburgo para retirar centenas de nacionais que solicitaram apoio voluntário. O governo nigeriano admitiu a possibilidade de retaliações diplomáticas caso a segurança dos seus cidadãos não seja garantida. A tensão na região segue a onda de manifestações em Ekurhuleni por oportunidades de emprego, onde residentes exigiram prioridade para sul-africanos.

O Zimbabué, Maláui e Moçambique organizaram colunas terrestres de autocarros e apoio consular para retirar trabalhadores e residentes de bairros periféricos considerados de alto risco. Moçambique exigiu publicamente medidas de proteção urgentes às autoridades sul-africanas para garantir a segurança dos milhares de moçambicanos que vivem e trabalham no país vizinho.

A crise ocorre num contexto de crescente tensão xenófoba na África do Sul, onde crimes contra estrangeiros têm aumentado, incluindo assassinatos de cidadãos de países vizinhos. O movimento March and March apela à expulsão de todos os estrangeiros indocumentados e à reserva de empregos exclusivamente para sul-africanos.

As autoridades sul-africanas ainda não se pronunciaram oficialmente sobre as medidas de segurança para o dia 30 de junho. A comunidade internacional aguarda garantias concretas de proteção aos cidadãos estrangeiros antes da data marcada para a paralisação nacional.