Autoridades do distrito de Manica conseguiram retirar 520 crianças da exploração mineira artesanal e reintegrá-las no sistema de ensino nos últimos dois anos. A operação, realizada em parceria com organizações humanitárias, reduziu o número de menores na mineração de quase 700 para 177 naquele território da província de Manica.

Desenvolvimento

Os números foram divulgados durante celebrações do Dia Internacional da Criança no posto administrativo de Messica. O evento reuniu cerca de mil crianças num almoço organizado pela esposa do administrador distrital.

As estatísticas revelam que 177 menores continuam envolvidos na extracção mineral clandestina. Muitos são aliciados por grupos de pares e abandonam as aulas sem consentimento dos responsáveis. O fenómeno afecta tanto rapazes como raparigas, conforme confirmou Bartolomeu António, director dos serviços distritais de saúde, mulher e acção social.

Os programas de resgate combinam sensibilização comunitária com apoio educacional. As equipas identificam crianças nos locais de garimpo e trabalham com famílias para garantir o regresso às escolas. A iniciativa envolve recursos do executivo distrital e financiamento de parceiros da sociedade civil.

Contexto / Reacções

Constância Daniel Raposo, esposa do administrador distrital, destacou a urgência de proteger os direitos dos menores. Durante o almoço comemorativo, apelou à reflexão colectiva sobre a exploração infantil na mineração artesanal.

O distrito de Manica regista actividade mineira intensa, especialmente na extracção de ouro e pedras preciosas. A presença de crianças nos garimpos representa violação da legislação moçambicana sobre trabalho infantil. Autoridades locais consideram a situação preocupante, apesar dos progressos alcançados desde 2024.

O Que Esperar

O governo distrital pretende intensificar fiscalizações nos locais de mineração e reforçar programas de apoio escolar. O objectivo é eliminar completamente a presença de menores nos garimpos de Manica até ao final de 2027, através de maior envolvimento das comunidades e encarregados de educação.