Utentes do terminal de transportes semicolectivos da T3, no município da Matola, denunciam cobranças ilegais que atingem 30 meticais por viagem para Maputo, quando a tarifa oficial fixada por lei é de 18 meticais. O esquema de dupla cobrança e encurtamento de rotas ocorre diariamente sob olhar passivo da Polícia Municipal.
Os passageiros relatam serem coagidos a pagar por "ligações" forçadas mesmo quando aguardam nas filas oficiais do terminal. Segundo os munícipes, quem recusa pagar o valor inflacionado acaba por atrasar para compromissos diários, uma vez que os transportadores priorizam quem aceita a tarifa ilegal.
Reportagem efectuada no local confirmou a presença de agentes da Polícia Municipal em serviço que nada faziam enquanto transportadores recolhiam passageiros noutra zona do terminal, onde aplicam a cobrança de 30 meticais. A inércia policial alimenta a revolta dos utentes, que questionam a razão da presença das forças de ordem. Em notícia relacionada, leia Incêndio destrói supermercado SPAR VIP na Matola durante mad.
Os transportadores justificam as cobranças abusivas com base na subida do preço dos combustíveis. O argumento, contudo, levanta dúvidas entre os passageiros, que afirmam que estas práticas se arrastam há vários anos, independentemente das flutuações do mercado.
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A situação na Matola reflecte problemas similares noutras regiões do país, onde fiscalizações a transportadores têm resultado em multas por irregularidades no sector.
Confrontado com as denúncias, o porta-voz da Polícia Municipal, Soares Chaúque, garantiu estar a par da situação. A autoridade comprometeu-se a reforçar a fiscalização nos terminais durante as horas de ponta, embora não tenha apresentado prazo concreto para implementação das medidas.
Os moradores da Matola exigem acção imediata das autoridades para pôr fim aos desmandos que penalizam diariamente milhares de trabalhadores e estudantes que dependem do transporte semicolectivo para deslocações entre a Matola e Maputo.