O Secretário-Geral da FRELIMO, Chakil Aboobacar, afirmou que o Estado moçambicano não criou qualquer plano novo para proteger cidadãos nacionais vítimas de xenofobia na África do Sul, argumentando que já existem mecanismos permanentes de resposta à crise. A declaração foi feita durante a visita a Moçambique do Secretário-Geral do ANC, partido no poder sul-africano.
A posição surge num momento em que centenas de moçambicanos regressam ao país em autocarros, fugindo de ataques xenófobos e intimidações nas províncias sul-africanas de Gauteng, KwaZulu-Natal e Western Cape. Nas últimas semanas, relatos de destruição de bens, ameaças e perseguições multiplicaram-se nas comunidades onde residem estrangeiros.
Durante o encontro com a delegação do ANC, Chakil Aboobacar procurou transmitir a ideia de continuidade institucional na gestão da crise. O dirigente frisou que os mecanismos de protecção consular e assistência humanitária sempre estiveram activos, cabendo às embaixadas e consulados coordenar o apoio aos afectados.
A declaração do Secretário-Geral da FRELIMO contrasta com a pressão crescente de famílias moçambicanas que exigem medidas concretas dos dois governos. Muitos cidadãos abandonaram empregos, negócios e residências por receio de novas vagas de violência, numa repetição de crises anteriores que já provocaram mortes e destruição massiva de propriedades.
Leia também
Só na última semana, a África do Sul repatriou 2.745 estrangeiros, incluindo centenas de moçambicanos. As autoridades sul-africanas justificam as deportações com violações de leis migratórias, mas organizações de direitos humanos denunciam perseguições sistemáticas a africanos de outros países.
Os líderes dos dois partidos no poder reforçaram o discurso de cooperação histórica e amizade entre Moçambique e África do Sul. Contudo, as garantias diplomáticas não convenceram famílias que aguardam protecção efectiva para evitar que novos episódios de violência produzam mais feridos, refugiados e vítimas mortais.
O Governo moçambicano mantém activos três consulados na África do Sul — em Joanesburgo, Durban e Cidade do Cabo — responsáveis pela assistência consular. As autoridades prometem reforçar a coordenação com Pretória para garantir a segurança dos cerca de 500 mil moçambicanos residentes no país vizinho.