O governo da Guiné Equatorial renunciou em massa após o Vice-Presidente Teodoro Nguema Obiang Mangue admitir publicamente que a equipa executiva "falhou feio" e cumpriu apenas 10% das metas estabelecidas. A demissão colectiva ocorre menos de um ano após a nomeação do executivo, em 2024.

Segundo comunicado do partido no poder, o Presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo criticou duramente a gestão governamental por fomentar práticas de corrupção e fracassar na missão prioritária de diversificar a economia do país, altamente dependente das receitas petrolíferas.

Embora o Vice-Presidente não tenha detalhado quais os objectivos específicos não alcançados, a nota oficial do partido governista classificou o desempenho como insuficiente para as necessidades do país. A baixa taxa de cumprimento das metas levou à decisão drástica de renovação completa do executivo.

Teodoro Obiang governa a Guiné Equatorial com mão de ferro desde 1979, sendo actualmente o líder há mais tempo no poder em todo o mundo. O Presidente de 82 anos chegou ao cargo através de um golpe de Estado contra o seu tio, Francisco Macías Nguema.

A economia da Guiné Equatorial depende em mais de 80% das exportações de petróleo e gás natural, segundo dados do Banco Mundial. A instituição financeira internacional tem alertado países africanos sobre os riscos da dependência de commodities.

A renúncia em massa do governo equato-guineense segue tendência regional de instabilidade política. Vários países africanos enfrentam crises governamentais relacionadas com gestão económica e combate à corrupção.

O Vice-Presidente Teodoro Nguema Obiang Mangue, filho do actual Presidente, é visto como sucessor natural do pai e tem acumulado posições de poder no regime. A sua admissão pública do fracasso governamental é considerada inédita no contexto político do país.

O partido governista não revelou o calendário para a nomeação de um novo executivo nem indicou se haverá mudanças estruturais na composição do próximo governo. A população aguarda agora sinais sobre a direcção que o regime pretende tomar para recuperar a confiança e atingir objectivos de desenvolvimento.